A descoberta do Transtorno do Espectro Autista (TEA) em uma criança costuma ser um divisor de águas na vida de muitas famílias. Em meio à desinformação, à demora no diagnóstico e ao difícil acesso a tratamentos especializados, pais e principalmente mães solo, enfrentam uma realidade desafiadora, marcada por incertezas, sobrecarga emocional e, muitas vezes, solidão.

Hoje, quinta-feira (7), assisti ao relato do ator Leandro Firmino, que compartilhou no programa Encontro um relato comovente sobre sua experiência pessoal com o diagnóstico de TEA do filho Levi, de apenas 7 anos.
Leandro revelou que os primeiros sinais começaram a surgir quando Levi tinha cerca de 3 anos. O retrocesso na fala foi um dos principais alertas.
“Minha esposa começou a perceber pela questão da fala. Antes, ele falava, depois começou a não falar mais. Agora, com a terapia, está voltando, está construindo mais frases”, relatou o ator, emocionado.
O que Leandro e a esposa, Letícia da Hora, enfrentaram é a realidade de milhares de famílias brasileiras. A jornada até um diagnóstico muitas vezes é longa, marcada por idas e vindas a especialistas, exames, filas de espera no SUS e a ausência de informação acessível. Em muitos casos, os sinais são minimizados ou confundidos com “pirraça” da criança, o que retarda o início do tratamento e impacta diretamente no desenvolvimento da criança.

Para mães solo, o caminho pode ser ainda mais difícil. São elas, na maioria dos casos, que estão à frente dos cuidados, da busca por atendimento médico, da mediação com a escola e do acompanhamento terapêutico. Tudo isso, muitas vezes, sem uma rede de apoio efetiva ou suporte financeiro.
Além das barreiras estruturais, as famílias enfrentam o estigma. O preconceito ainda é grande, tanto com o autismo quanto com os comportamentos que muitas vezes são incompreendidos por quem está de fora. O isolamento social é uma consequência frequente, o que torna a rede de apoio ainda mais frágil.
O relato de Leandro Firmino joga luz sobre uma realidade que precisa ser debatida com mais seriedade. É urgente que políticas públicas ampliem o acesso a diagnósticos precoces, tratamentos multidisciplinares e apoio psicossocial às famílias e sobretudo às mães que enfrentam essa jornada sozinhas.
Enquanto isso, exemplos como o de Leandro e Letícia ajudam a fortalecer o diálogo, combater o estigma e incentivar outras famílias a buscarem apoio.

“É um aprendizado diário. O Levi nos ensina todos os dias a enxergar o mundo de uma forma mais sensível e verdadeira”, concluiu o ator.
