Quando a infância vira conteúdo: Hytalo Santos e o perigo da exposição digital

Por Vitor Pereira

Vivemos uma era em que a infância, que deveria ser tempo de descobertas, brincadeiras e formação emocional, tem, muitas vezes, sido substituída por uma exposição digital precoce. Essa mudança traz consequências sérias, desde a perda do tempo lúdico essencial até riscos reais, como violência e exploração.

Nos últimos dias, o caso do influenciador Hytalo Santos reacendeu essa discussão. Na última quarta-feira (6), o youtuber Felipe Bressanim Pereira, o Felca, publicou um vídeo que já ultrapassou 28 milhões de visualizações, denunciando casos de exploração de menores na criação de conteúdo digital. Entre os exemplos, citou Hytalo, que teve a conta no Instagram desativada na sexta-feira (8), após a polêmica.

Felca também chamou atenção para a adultização precoce, quando crianças e adolescentes passam a agir, se vestir e se comunicar como adultos, muitas vezes incentivados por pais, responsáveis ou pelo próprio público. Casos de “coachs mirins” e jovens que abandonam o tempo de brincar para repetir discursos sobre dinheiro e sucesso que não compreendem são cada vez mais comuns.

O problema vai além da exposição exagerada, que acaba interrompendo etapas essenciais do desenvolvimento infantil. A infância é um período único para criar vínculos, desenvolver imaginação e construir identidade. Substituí-la por gravações, metas de engajamento e pressões para agradar seguidores pode levar à perda de experiências fundamentais e, pior, colocar crianças em situações de sexualização precoce, intencional ou não, com consequências psicológicas profundas.

Números que Preocupam

  • 16% de crianças e adolescentes (11 a 17 anos) já receberam conteúdo sexual online, e 9% foram abordados para envio de imagens íntimas — TIC Kids Online Brasil 2023.
  • 54% dos adolescentes (13 a 18 anos) já sofreram violência sexual online, de mensagens abusivas a coerção — ChildFund Brasil.
  • Denúncias de imagens de abuso sexual infantil cresceram 70% no 1º quadrimestre de 2023, comparado a 2022 — SaferNet Brasil.
  • O acesso à internet entre crianças de 3 a 5 anos saltou de 26% em 2015 para 71% em 2024Desinformante.

Esses dados não são números frios. São alertas de que, por trás de cada curtida e compartilhamento, crianças podem estar sendo expostas a riscos sérios.

A exposição digital precoce, muitas vezes impulsionada por pais em busca de visibilidade ou ganhos financeiros, transforma a infância em espetáculo. O que deveria ser um tempo de vivências reais vira um palco para adultos, afetando identidade, autoestima e o sentimento de pertencimento das crianças.

Enfrentar esse cenário é um desafio urgente para famílias e para a sociedade. Mas há soluções: presença atenta, diálogo aberto, limites claros de tempo de tela e respeito ao ritmo natural da infância podem proteger o que temos de mais valioso a infância em sua essência.

E você, o que acha dessa exposição de crianças na internet? Até que ponto ela pode ser saudável ou já passou de todos os limites?

Quero saber a sua opinião.

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