Por Vitor Pereira
Você já ouviu falar na Angela Ro Ro ou no Hermeto Pascoal?
Talvez a resposta seja “sim”, mas aposto que muita gente jovem nem sabe quem foram esses dois gigantes da música brasileira. E é justamente por isso que eu quero falar deles aqui, não só pra lembrar, mas pra gente pensar junto no que estamos perdendo.

Angela Ro Ro partiu agora, em setembro de 2025, aos 75 anos. Voz rouca, intensa, cheia de emoção. Ela cantava amor, dor e liberdade como poucos tiveram coragem de cantar. Com 13 discos, centenas de composições, e uma vida inteira abrindo espaço pra quem queria ser verdadeiro dentro da música. Ela era a prova de que arte é sentir sem disfarçar.

Hermeto Pascoal, o “bruxo” da música, também nos deixou. Um gênio capaz de transformar qualquer som em melodia, do jazz ao forró, do sopro de um instrumento até o barulho da natureza. Ele não só fazia música, ele expandia o que a gente entendia como música. Um criador sem limites.
Esses dois nomes não são só história, são parte do que o Brasil tem de mais rico: a ousadia de ser diferente. Angela foi coragem, Hermeto foi invenção. E juntos, eles deixaram um vazio enorme.
E aí vem a pergunta que dói:
onde estão os novos nomes com essa mesma coragem?
Será que a gente ainda dá espaço pro diferente? Ou será que estamos presos ao que é rápido, ao que viraliza, ao que some em 15 segundos de feed?
Eu fiquei aqui pensando: como a gente pode manter viva essa chama artística no Brasil? Acredito que seja com educação musical mais ampla, com apoio público pra arte independente, com espaço pras vozes minoritárias, com plateias dispostas a ouvir diferente. Se não fizermos isso, corremos o risco de perder de vez a genialidade que deu identidade à nossa música.
Sinto que o fim de Angela Ro Ro e Hermeto Pascoal marca uma virada, um ponto de reflexão: como vamos lembrar deles e, mais importante, como vamos criar espaço pra quem vem depois, não como cópia, mas como continuidade de ousadia, coragem e criação? Porque arte sem renovação vira só nostalgia, e o Brasil merece mais do que isso.
A gente se acostumou com o imediatismo. A música virou “conteúdo” pra encaixar em stories, em trends, em playlists de algoritmo. Mas e a profundidade? E as músicas que você ouve hoje e ainda vão fazer sentido daqui a 30 anos, como as de Ângela e Hermeto? Quem está criando isso agora?
Quando esses grandes artistas partem, parece que levam junto não só sua obra, mas também uma parte da coragem que eles representavam. Coragem de ser autêntico, de desafiar o público, de não seguir o padrão só porque é mais fácil. E é exatamente essa coragem que a gente precisa preservar.
Talvez a responsabilidade seja nossa também, como público. Se a gente só consome o que já está pronto e embalado, o que sobra pros artistas que querem inovar? A arte não nasce sozinha, ela precisa de quem a escute, quem a valorize, quem a defenda.
Por isso, quando penso no legado da Angela Ro Ro e do Hermeto Pascoal, penso também num recado: não dá pra viver só de saudade. A gente precisa cuidar do presente, abrir espaço pro novo, apoiar quem tá tentando construir uma música que dialogue com a alma e não só com os números.
Se você nunca parou pra escutar uma música da Angela Ro Ro ou uma criação do Hermeto Pascoal, eu te convido a fazer isso hoje. Dá o play, sente a energia, e depois me conta: o que você achou?
Quero muito saber sua opinião. Deixe um comentário aqui ou me chama no instagram (@eleopina.vitorpereira).
