Quando a ausência fala mais que mil palavras: uma reflexão sobre responsabilidade afetiva

Há cerca de um mês, marquei de encontrar um amigo que eu não via há bastante tempo. Tínhamos combinado com antecedência, organizei meus horários, adiei outros compromissos e, confesso, fiquei animado com a ideia do reencontro. Mas, poucas horas antes, ele me avisou que não poderia mais ir. O motivo? Uma comemoração de última hora com outra amiga.

Pode parecer algo pequeno, cotidiano até. Mas, naquele instante, me senti rejeitado. Me senti menos importante. E, pior: percebi que talvez o valor que eu dava à nossa amizade não era recíproco.

Esse episódio me levou a refletir sobre um tema que, infelizmente, ainda é subestimado nas nossas relações: responsabilidade afetiva.

Muita gente associa responsabilidade afetiva apenas a relacionamentos amorosos. Mas ela vai muito além. Está presente em qualquer tipo de vínculo como: amizade, família e trabalho. Ter responsabilidade afetiva é reconhecer que as nossas atitudes afetam o outro. É entender que o outro sente, espera, cria expectativas. E que, mesmo sem intenção, podemos causar frustrações profundas quando agimos de forma displicente.

Quando alguém combina algo com você, se organiza para estar com você, essa pessoa está oferecendo algo que hoje parece raro: tempo e presença sincera. Desmarcar em cima da hora por um motivo fútil não é apenas uma quebra de agenda, é uma quebra de consideração. E isso diz muito sobre onde estamos, emocionalmente, nas prioridades uns dos outros.

É claro que imprevistos acontecem. Mas há uma diferença enorme entre imprevisto e descaso. Entre falta de tempo e falta de vontade. E é aí que entra a tal da responsabilidade afetiva: saber que, ao desmarcar, não estamos apenas mudando um horário. Estamos, talvez, dizendo sem palavras: “você não é tão importante assim pra mim”.

Esse tipo de atitude, repetida ao longo do tempo, mina relações. Cria abismos. Faz a gente repensar se vale mesmo a pena continuar se dedicando, se importando, estando presente.

Não escrevo isso como quem deseja cobrar atenção ou dramatizar situações. Escrevo como alguém que acredita que vínculos humanos, os verdadeiros, se constroem com cuidado, reciprocidade e presença. E que isso precisa ser dito, precisa ser lembrado. Porque enquanto não colocarmos a responsabilidade afetiva como um valor essencial nas nossas relações, vamos continuar colecionando frustrações disfarçadas de normalidade.

No fim das contas, o que eu esperava daquele encontro era simples: um gesto de reencontro, de afeto, de lembrança de quem fomos um dia. Não veio. E isso também foi uma resposta.

Hoje, mais do que antes, tenho escolhido estar perto de quem me enxerga como prioridade, não como opção. Porque amizade, assim como qualquer vínculo verdadeiro, precisa ser de mão dupla.

E pra você que acha normal agir assim, fica só um pedido: repense suas atitudes. Aprender a oferecer consideração é o mínimo em qualquer relação. Porque no fim das contas, até o Wi-Fi desconecta quando não tem reciprocidade.

E essa é a minha opinião.

E você, já passou por algo parecido?
Já sentiu que estava se entregando mais do que recebia em uma amizade ou relação? Já teve a sensação de ser deixado de lado por alguém que considerava importante?

Você pode compartilhar sua história comigo nos comentários ou, se preferir, me enviar por mensagem ou e-mail ou até mesmo lá no meu Instagram (@eleopina.vitorpereira).

Acredito que expressar o que sentimos nos fortalece e ainda pode ajudar outras pessoas a perceberem que não estão sozinhas.

Vamos conversar?

Um comentário sobre “Quando a ausência fala mais que mil palavras: uma reflexão sobre responsabilidade afetiva

  1. Gente! Que assunto necessário para os dias de hoje! As pessoas estão sem cuidado para manter as relações. Fazem coisas como estas e outras mais e no final desejam que tudo fique igual. Mas enfim… A gente vai se entendendo e tentando entender as pessoas…

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