O que o desabafo de Erika Januza revela sobre a nossa incapacidade de amar

Por Vitor Pereira

Ontem à noite, enquanto rolava o feed do Instagram sem grandes pretensões, um vídeo prendeu completamente a minha atenção. Era um corte da atriz Erika Januza conversando sobre responsabilidade, afeto e o fim de uma história. Confesso que aquele vídeo me comoveu de uma forma diferente. Ficou reverberando na minha cabeça por horas, me fazendo pensar no quanto a gente tem lidado mal com as relações e o quanto precisamos urgente mudar a nossa perspectiva sobre o amor.

No trecho, Erika desabafava sobre a dor de ter a sua confiança quebrada e a sensação de ver o seu “inegociável” jogado no chão. Mas o que mais me atingiu foi a lucidez e a coragem com que ela disse:

“Não por obra minha, mas talvez por obra da minha sensibilidade de acreditar no amor. A responsabilidade do que eu estou sentindo agora não é minha. Eu dei o que eu tinha para dar e recebi o que a outra pessoa tinha para dar. Cada um dá o que tem.”

Ouvir aquilo me fez parar para analisar o cenário em que vivemos. Ficamos ali, refletindo sobre o peso de dar o nosso melhor e, muitas das vezes, nos pegarmos pensando: “Será que eu dei demais? Será que eu exagerei no afeto?”.

A verdade é que vivemos em uma era estranha. Uma época em que demonstrar carinho virou motivo de alerta, em que a intensidade é vista como um “defeito” ou uma “ameaça”, e a responsabilidade emocional virou um luxo raro. As pessoas estão tão acostumadas com interações rasas, com jogos de desinteresse e com o mínimo, que quando recebem um amor de verdade, com intensidade, presença e transparência, elas simplesmente não sabem o que fazer. Se assustam. Recuam. Ou, no pior dos cenários, desrespeitam.

Muitas vezes, quando alguém quebra um compromisso com a gente, nós somos condicionados a fazer as perguntas erradas: “O que eu fiz de errado?” ou “Por que eu me entreguei tanto?”.

Mas a reflexão daquele vídeo me estalou um alerta: o problema raramente está no excesso de quem ama, mas na incapacidade de quem recebe. Nem todo mundo tem estrutura ou maturidade para sustentar o peso e a beleza de um afeto real. Amar exige presença, reciprocidade e a coragem de ser vulnerável, coisas que uma sociedade treinada para o desapego rápido já não sabe mais praticar.

Eu acredito que um relacionamento não é um contrato de posse, mas é, indiscutivelmente, um pacto de cuidado. Quando decidimos caminhar com alguém, assumimos a responsabilidade pelo impacto que geramos na vida dessa pessoa. Isso é a verdadeira responsabilidade conjugal.

Não significa que ninguém pode errar ou que os sentimentos nunca mudam. Significa ter a hombridade de honrar os combinados enquanto eles existirem e a coragem de ser transparente se algo mudar, sem precisar destruir a história e a dignidade do outro no caminho.

Precisamos mudar a nossa perspectiva. Se você entregou amor honesto, não há do que se arrepender, tampouco motivo para sentir vergonha. A culpa e a vergonha nunca pertencem a quem deu o seu melhor; pertencem a quem não soube honrar o que recebeu. Ter sensibilidade e acreditar no amor jamais será um erro.

Essa é a minha opinião sobre o assunto, mas quero saber a sua.

Deixe seu comentário, porque pensar sobre a vida só faz sentido quando a gente pensa junto.

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